domingo, 9 de janeiro de 2011

A técnica dos cupins e o blogueiro kantiano





“Dois mil e quinhentos anos depois da tecedura de Platão, parece que agora não só os deuses, mas também os sábios se retiraram, deixando-nos sozinhos com nossa ignorância e nosso parco conhecimento das coisas.”
Peter Sloterdijk



Definitivamente o determinismo decretou que os blogs estão em crise, que as pessoas migram mais rápido que cupins de uma madeira a outra, que passam num movimento rápido à noite e que de durante o dia já se percebe que ali viveu um blog. Ali ninguém mais habitará a não ser o vazio de caracteres deixados. Assim penso, ou será que foram os blogs que migraram à noite para outro espaço em caracteres em uma necessidade causal, que no lugar onde existia uma linguagem restou uma pasta oculta e que um dia alguém ainda irá lembrar? Ou mesmo, posso pensar que onde existia a linguagem nunca existiu destino, que tudo é fruto dos que pensam em guardar apenas na memória e nem memória existe mais agora, a não ser que ficasse impresso e guardado na gaveta onde os cupins não pudessem abocanhar. Nem a nuvem consegue suportar a memória, ela exige demais, é altamente corrosiva, poderia muito bem acabar com o esquecimento, desmitificar previsões e mudar o rumo do que era um determinante e se tornar em fractais. O fim é o espelho da repetição diferenciada, não existe propriedade do que se espelha se não tivermos a velha crença de que a ideia combinada com a lógica dos acontecimentos só permanece se puder continuar corroendo as madeiras.



Um comentário:

Jamil P. disse...

Ta aí, percebo também esse fenômeno, mas não de uma forma assim tão generalizada como a que você descreve. Talvez porque minha amostragem em termos de quantidade blogs e tempo de observação/comparação (com épocas anteriores à atual) seja menor que a sua.
Achei bem interessante. É um assunto que realmente merece maior reflexão e investigação.

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“... acordou no cume de um sonho que se eleva no céu, como no cume de uma onda. E, subitamente, não se recordou de mais nada.” Ricardo Guilh...