terça-feira, 22 de janeiro de 2013

DESAFORISMOS

                                                    Anthony Gerace


“Nada mais estúpido do que aprender decorando. Mas, se não se exercita a memória, ela se atrofia. Então, repisaram as primeiras fábulas de La Fontaine.”
(Flaubert, Bouvard e Pécuchet, p. 314, Estação Liberdade)

Nem tudo o que observo é o todo da minha imaginação.

A imaginação anda solta, presa ao dono ela sobrevive à moral, por isso o dono se desliga da imaginação.

A roupa que usas é a aparência mais exata dos teus sentimentos.

O que achas dos meus olhos? Sei, tu és o negativo do acobertamento, por isso andas a pensar que sou invisível.

A rua da minha infância é o retrato de minha alma adulta, a solidão vaga no tempo como a idade viaja à cidade.

O desafogo do enamorado só se realiza no momento em que ele percebe que não dá mais pé.

A melhor maneira de suprir a solidão é inventar um jeito de dormir com ela sem roncar.

Proteja sua amada, ela não tem culpa de que o lixo da cidade é uma questão de desamor pela vida.

A maior ofensa à língua é morder a própria caudal dos pensamentos e desconhecer a grandiosidade do acaso. (à Paul Valéry)








                                                     

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