quarta-feira, 15 de abril de 2009

A Criança no Cinema




Como a criança é vista no cinema? As concepções filosóficas e psicológicas se referiam à criança com sua presença ao real na relação em que adquire dos objetos exteriores à possibilidade de contemplar. A percepção diante do mundo, das coisas, está relacionada à troca, como se na vida, desde a tenra idade já tem dentro um adulto no núcleo de vida. O egocentrismo transcende tudo isso, vai até o adulto e retorna no filme, depois na imagem da criança que ouve, vê, contempla, se distancia do mundo para inventar um novo mundo. Seu imaginário já estava lá. É o limiar do real ao imaginário que inventa o real. O adulto e o cinema souberam encontrar nesse cotidiano muito mais que uma narrativa, o movimento e som são signos que falam da vida nas imagens. O menino que corre na praia, rumo ao futuro ao menino, antes, que olha as ruínas de Berlim antes de se jogar do alto de um prédio. Um menino que perde seu olhar fixo no pai.


segunda-feira, 6 de abril de 2009

Anatomia das listas





"Você sabia como eu era quando eu tinha dezoito anos. Você não sabe como eu sou agora, pra azar seu." Nick Hornby


Sigo sempre fazendo listas em minha cabeça, tal qual Nick Hornby, tal qual eu mesmo sempre fiz isso, antes mesmo de conhecer as listas dos outros. Acontece que minha obsessão depois é esquecida pelo novo que chega. Nos filmes, nas canções, nos amores, mas nos escritores soa diferente a minha lista. Nos pensadores, nas mulheres que amei, tudo soa diferente em mim. Vale sempre a última da lista. No caso das paixões, lembro do cheiro dos cabelos, dos olhos e muito mais para não esquecer jamais. Agora assistindo “Anatomia de um Crime” (1959) com James Stewart e Ben Gazzara, ainda novinho em folha, aquele mesmo do Charles Bukowisk. A cena me trouxe ao livro, me levou a tipos de música, bandas, escritores, filmes, diretores, estrelas de cinema, que escolhemos como se também fôssemos entrar na lista imortal da vida das listas. Eu sempre esqueço a lista e começo do zero para não me sentir imortal. Odeio esse absoluto, esse dom, esse todo na alma pobre dos mortais. Como é bom contrariar o dia seguinte de minhas listas. Hornby fez listas no “Alta Fidelidade”, “meus cinco empregos ideais”, depois disse:
“E é isso. Também não é nem como se esta lista fosse a dos meus cinco melhores: não existe num número seis ou sete que eu tivesse que omitir por causa das limitações do exercício.”
Aí pensei no argumento que finda, pensei nas minhas listas quando eu esqueço os quatro primeiros, aí eu penso: fico com o último da lista, o que estou assistindo agora. Não na literatura, no pensamento, nas ideias que vão dos poucos para quase todos os momentos de minha vida. Aliá, Nick Hornby está com livro novo na praça, “Frenesi Polissilábico” da editora Rocco.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

A Tela Global: mídias culturais e cinema na era hipermoderna




Lançamento da Editora Sulina, 2009.
Título original: L'Écran Global-Éditions du Seuil, 2007.
Capa: Letícia Lampert
Coleção: Imagem-Tempo
Nº de páginas: 326
ISBN: 978-85-205-0521-2
Preço de Capa: R$ 62,00
Departamento editorial e divulgação: (51) 3019. 2102


"A teoria do cinema não tem por objeto o cinema, mas os conceitos do cinema, que não são menos práticos, efetivos ou existentes que o próprio cinema. Os grandes diretores de cinema são como grandes pintores ou grandes músicos: são eles que melhor falam do que fazem. Mas, falando, tornam-se outra coisa, tornam-se filósofos ou teóricos, até mesmo Hawks que não queria teorias, até Godard que finge desprezá-las. Os conceitos do cinema não dados no cinema. E, no entanto, são conceitos do cinema, não teorias sobre o cinema." Gilles Deleuze


Aqui vai um fragmento do livro que promete uma bela reflexão sobre o cinema. Inspirada em Deleuze, coleção Imagem-Tempo segue esses signos e imagens que a filosofia usa conceitualmente como prática para ampliar a reflexão.


"O que é o cinema no momento da tela global? Enquanto a era das redes avança, o cinema continua a ser lido de maneira muito compartimentada. Claro que as ciências humanas fornecem informações preciosas e luzes indispensáveis, mas sua preocupação metodológica, indissoluvelmente ligada à construção de um objeto circunscrito, as impede de colocar questões de fundo relativas ao sentido e ao novo lugar do cinema na sociedade que se instala. São esses vazios que queremos preencher, fixando dois objetivos. Primeiro, compreender o regime inédito do cinema que acompanha a globalização, depois, o lugar e a função do cinema numa cultura da tela a cada dia mais onipresente.
Mas, se a abordagem deve ser global, por que pôr o acento no cinema? Não estará essa focalização atrasada no momento em que a sétima arte vê sua antiga primazia recuar cada vez mais em benefício da televisão e da Internet? O fato é inegável: a época triunfal do cinema está muito atrás de nós. Vivemos o tempo da proliferação das telas, da tela-mundo na qual o cinema não é mais que uma tela entre outras. Mas o fim de sua centralidade “institucional” não significa de modo algum enfraquecimento de sua influência “cultural”. Muito pelo contrário. É quando o cinema perde sua preeminência que sua influência global aumenta, impondo-se como cinematografização do mundo, visão telânica do mundo feita da combinação do grande espetáculo, das celebridades e do divertimento. O indivíduo das sociedades hipermodernas passa a olhar o mundo como se fosse cinema, este constituindo as lentes inconscientes pelas quais ele vê a realidade onde vive. O cinema tornou-se formador de um olhar global dirigido às esferas mais diversas da vida contemporânea.
Daí a necessidade de abandonar a análise do cinema como ofício, separando-o das leituras que ele suscitava quando dominava o mundo da tela. Pensar o cinema hoje é, cada vez mais, pensar um mundo social que se tornou ao mesmo tempo telânico e hiperespetacular. Há muito se sabe que é impossível pensar o cinema sem considerar a aventura dos tempos modernos; eis que agora são os tempos hipermodernos e sua profusão de telas que não podem mais ser pensados sem o prisma do cinema." Gilles Lipovetsky e Jean Serroy