quinta-feira, 2 de abril de 2009

A Tela Global: mídias culturais e cinema na era hipermoderna




Lançamento da Editora Sulina, 2009.
Título original: L'Écran Global-Éditions du Seuil, 2007.
Capa: Letícia Lampert
Coleção: Imagem-Tempo
Nº de páginas: 326
ISBN: 978-85-205-0521-2
Preço de Capa: R$ 62,00
Departamento editorial e divulgação: (51) 3019. 2102


"A teoria do cinema não tem por objeto o cinema, mas os conceitos do cinema, que não são menos práticos, efetivos ou existentes que o próprio cinema. Os grandes diretores de cinema são como grandes pintores ou grandes músicos: são eles que melhor falam do que fazem. Mas, falando, tornam-se outra coisa, tornam-se filósofos ou teóricos, até mesmo Hawks que não queria teorias, até Godard que finge desprezá-las. Os conceitos do cinema não dados no cinema. E, no entanto, são conceitos do cinema, não teorias sobre o cinema." Gilles Deleuze


Aqui vai um fragmento do livro que promete uma bela reflexão sobre o cinema. Inspirada em Deleuze, coleção Imagem-Tempo segue esses signos e imagens que a filosofia usa conceitualmente como prática para ampliar a reflexão.


"O que é o cinema no momento da tela global? Enquanto a era das redes avança, o cinema continua a ser lido de maneira muito compartimentada. Claro que as ciências humanas fornecem informações preciosas e luzes indispensáveis, mas sua preocupação metodológica, indissoluvelmente ligada à construção de um objeto circunscrito, as impede de colocar questões de fundo relativas ao sentido e ao novo lugar do cinema na sociedade que se instala. São esses vazios que queremos preencher, fixando dois objetivos. Primeiro, compreender o regime inédito do cinema que acompanha a globalização, depois, o lugar e a função do cinema numa cultura da tela a cada dia mais onipresente.
Mas, se a abordagem deve ser global, por que pôr o acento no cinema? Não estará essa focalização atrasada no momento em que a sétima arte vê sua antiga primazia recuar cada vez mais em benefício da televisão e da Internet? O fato é inegável: a época triunfal do cinema está muito atrás de nós. Vivemos o tempo da proliferação das telas, da tela-mundo na qual o cinema não é mais que uma tela entre outras. Mas o fim de sua centralidade “institucional” não significa de modo algum enfraquecimento de sua influência “cultural”. Muito pelo contrário. É quando o cinema perde sua preeminência que sua influência global aumenta, impondo-se como cinematografização do mundo, visão telânica do mundo feita da combinação do grande espetáculo, das celebridades e do divertimento. O indivíduo das sociedades hipermodernas passa a olhar o mundo como se fosse cinema, este constituindo as lentes inconscientes pelas quais ele vê a realidade onde vive. O cinema tornou-se formador de um olhar global dirigido às esferas mais diversas da vida contemporânea.
Daí a necessidade de abandonar a análise do cinema como ofício, separando-o das leituras que ele suscitava quando dominava o mundo da tela. Pensar o cinema hoje é, cada vez mais, pensar um mundo social que se tornou ao mesmo tempo telânico e hiperespetacular. Há muito se sabe que é impossível pensar o cinema sem considerar a aventura dos tempos modernos; eis que agora são os tempos hipermodernos e sua profusão de telas que não podem mais ser pensados sem o prisma do cinema." Gilles Lipovetsky e Jean Serroy
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