segunda-feira, 6 de abril de 2009

Anatomia das listas





"Você sabia como eu era quando eu tinha dezoito anos. Você não sabe como eu sou agora, pra azar seu." Nick Hornby


Sigo sempre fazendo listas em minha cabeça, tal qual Nick Hornby, tal qual eu mesmo sempre fiz isso, antes mesmo de conhecer as listas dos outros. Acontece que minha obsessão depois é esquecida pelo novo que chega. Nos filmes, nas canções, nos amores, mas nos escritores soa diferente a minha lista. Nos pensadores, nas mulheres que amei, tudo soa diferente em mim. Vale sempre a última da lista. No caso das paixões, lembro do cheiro dos cabelos, dos olhos e muito mais para não esquecer jamais. Agora assistindo “Anatomia de um Crime” (1959) com James Stewart e Ben Gazzara, ainda novinho em folha, aquele mesmo do Charles Bukowisk. A cena me trouxe ao livro, me levou a tipos de música, bandas, escritores, filmes, diretores, estrelas de cinema, que escolhemos como se também fôssemos entrar na lista imortal da vida das listas. Eu sempre esqueço a lista e começo do zero para não me sentir imortal. Odeio esse absoluto, esse dom, esse todo na alma pobre dos mortais. Como é bom contrariar o dia seguinte de minhas listas. Hornby fez listas no “Alta Fidelidade”, “meus cinco empregos ideais”, depois disse:
“E é isso. Também não é nem como se esta lista fosse a dos meus cinco melhores: não existe num número seis ou sete que eu tivesse que omitir por causa das limitações do exercício.”
Aí pensei no argumento que finda, pensei nas minhas listas quando eu esqueço os quatro primeiros, aí eu penso: fico com o último da lista, o que estou assistindo agora. Não na literatura, no pensamento, nas ideias que vão dos poucos para quase todos os momentos de minha vida. Aliá, Nick Hornby está com livro novo na praça, “Frenesi Polissilábico” da editora Rocco.
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