domingo, 2 de março de 2008

O Homem Nômade e o Sujeito Estilístico





Acordei pensando nos vestígios das coisas, na tradição esquecida e de cara me deparei com a resolução de uma conversa do Homem Nômade com o Sujeito Estilístico.

Sujeito Estilístico:
Então vá! É a vida. Todos temos um fim. Um apagar de vestígios na terra. O que fazer?
Homem Nômade:
A morte está aí e por isso precisamos viver muito. Pois é, sei dos teus propósitos. Sou veemente nessas questões e fervoroso homem que gosta de viver. Então, meu caro, com isso os vestígios viram cinzas para a sua sede de perfeição e medo da incerteza.
Sujeito Estilístico: Porque invento todos os dias um novo dia, uma paixão, um desejo, um sei lá o quê. Não é por isso que deverei parar e escutar a voz de dentro. A realidade deve ser driblada por mim para que eu possa vivê-la com mais clareza. Assim consigo fugir da morte em não justamente enfrentá-la.
Homem Nômade: Se chama isso de saber o peso da realidade sem que se caia em desespero. Sou um niilista espiritual e um apaixonado pela vida. Sei o que estou dizendo.
Isso porque dentro sempre existem coisas ocultas, a doença, a fome, o desejo, a ira, o esquecimento etc.
Sujeito Estilístico: Temos que conviver com tudo isso. Vou cuidar de minhas coisas. Até mais.
Homem Nômade: Hoje estou com uma tremenda fome de filosofia, de falar sobre o cotidiano, sobre coisas que buscamos compreender e não conseguimos porque somos presas fáceis da realidade.
O Sujeito Estilístico: antes de parti dá uma risada:
Eu não. Menos eu, o que vejo é o que toco, o que eu consumo me consome aos poucos. A metástase tomou conta dos teus textos. Vou lá que a chuva diminuiu.

2 comentários:

. fina flor . disse...

a realidade pesa, não tem jeito.

que a chuva lave o que não for cheiro de flor.

beijos, querido e boa semana,

MM.

Ju disse...

parece um diálogo entre heterônim,os de Pessoa! adorei! todos eles moram em nós...
beijos.

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“... acordou no cume de um sonho que se eleva no céu, como no cume de uma onda. E, subitamente, não se recordou de mais nada.” Ricardo Guilh...