sábado, 27 de junho de 2015

Sonho

                                     Lisboa


“(...) Serei todos ou ninguém.  Serei o outro
Quem sabe sem saber eu sou, o que fitou
Esse outro, minha vigília. E a julga,
Resignado e sorridente.”
Jorge Luis Borges - Sonho

Depois de dormir um sono errante,
Vaguear pelo inconsciente, correr o mundo,
Entrar por todos os cantos da memória.
Explorar o passado, o vivido, o insignificante,
Em todos os lados, ser personagem e autor,
Depois escrever tudo de forma mais absurda:
O nexo da noite está no acordar vivo.
Ver que o tempo mudou, o sonho é um trem,
Desloca ao passado, se perde, o túnel é o caminho,
Sem temer a censura, o outro lado é a viagem do autor,
O maquinista da noite não teme o fim,
Tem o controle da luz na escuridão,
Seus personagens, um vasto complexo de Outros,
Todos, sujeitos, uns, obra do autor a viver na onírica viagem, prova do recorte da vida que sonha,
O dia, mais cedo ou mais tarde, luz dos olhos,
Acenderá os filamentos da linguagem do noctívago.


   Autor desconhecido


“... e essa regressão precisa deixar pelo caminho toda nova aquisição ocorrida no percurso que vai das imagens mnemônicas até os pensamentos.”

(Freud – “O trabalho do sonho”, p. 244 ‒ Freud – Conferências introdutórias à piscanálise, Obras Completas, vol. 13 , Companhias das Letras, 2014.)

Um comentário:

Ranhuras da vida

“... acordou no cume de um sonho que se eleva no céu, como no cume de uma onda. E, subitamente, não se recordou de mais nada.” Ricardo Guilh...