sábado, 20 de junho de 2015

O Existencialismo da Imagem Nua

 
      Jean-Paul Sartre, Simone de Beauvoir, Boris Vian e Michelle. Pari, 1952 – Fonte: Ny Times

                                                   Andres Kertesz



“O olhar do outro afeta o meu de um índice de cegueira. Mas a cegueira provoca a imaginação.”

José Gil

Eis a questão que me envolve às vezes na reflexão, se existe existencialista pós-moderno, depois, em outra linha do pensar, digo a mim com a convicção própria de um homem do século XXI, se é que existe mesmo, é o pós-moderno existencialista.
Se existisse ainda existencialista, certamente não seria pós-moderno, seria um herdeiro do marxismo, seria um saudoso homem diante de questões pós-cartesianas, dentro de um embate profundo sobre a objetivação do sujeito.
Só que isso passou. Se hoje se fala de existencialismo porque existe um resquício sartreano na linguagem que atravessou o século XX, e permanece no corpo de muito pós-moderno existencialista a extensão do tempo que se metamorfoseou, deixou de ter um único ideal.
Tenho o pensamento no pêndulo do tempo, nas ruas de Paris, assim como tenho o olhar na imagem da história e disso posso ter uma certeza ‒ não a verdade que alguns intelectuais procuram ‒, mas o prazer de ver essas contradições que habitam o homem deste século.
Esteticamente, na imagem das pequenas percepções vive um existencialista, talvez o que resta do pensamento sartreano no contemporâneo, no homem que bem ou mal, é o registro vivo de um tempo que se modifica incessantemente.
Esse homem que vive no pensamento está consciente de que o pós-moderno talvez não exista mais, a modernidade tratou de matar toda e qualquer alternativa para a recusa do sujeito que ela mesmo forjou, sua obra, hoje, está na agonia das incertezas. Não se deve culpar o homem por suas escolhas erradas em princípios morais, em conjecturas filosóficas, muito menos em ideias totalizantes. O homem é resultado dessas escolhas.
 A história jogou ao tempo um homem que hoje pode viver como um pós-moderno existencialista, até mesmo num esforço de força metodológica, um homem estético da modernidade tardia existencialista.

  


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