segunda-feira, 16 de março de 2015

Olhos do viajante, recorte do pensamento


“A alma jamais pensa sem fantasia.” Aristóteles

Quão estúpidos são os homens que creem que a vida é só viver; a vida é, também, renuncia, é deixar de viver momentaneamente para se dedicar ao não vivido. Viver não é só gozar a vida, é tudo, até mesmo morrer para viver melhor outro dia após outros dias. Andei pensando esses últimos dias, enquanto viajava, lia, via coisas novas, coisas que já tinha visto mas meus olhos renovados já passaram pela negação da vida, questionava ao total abandono de um absoluto nas imagens. Tudo parece novo, mesmo que já tenha visto, imagino o novo diante dos olhos, o sentir desse espaço infinito por onde o pensar foge da imagem. Vejo outros mundos dentro do mundo em que me adentro a ver. A vida do viajante é interessante porque nunca consegue descansar a cabeça, sempre quer olhar e pisar mais o todo de qualquer canto por onde passa. O viajante difere do turista, ele é quem conduz o roteiro, quase sempre aleatoriamente, mesmo que organizado, ele consegue se perder, mais adiante, ele consegue se achar e encontrar lugares já existentes; para o viajante tudo é novo e eterno. O desconhecido é um livro a ser lido. Um eterno retorno dentro de um conceito de vida, de viver e morrer por onde passa, pelos cafés, pelos bistrôs por onde aporta seu barco. Cansado, toma seu café a perder de vista os sentimentos, e, já a pensar como é bom esquecer sua origem, de onde veio. É como os tempos em que os cafés reuniam o mundo, as ideias, agora alguns viajantes. Nunca pensar o fim daquele momento que mais parece um descanso para o corpo. A melhor forma de viver sem esperar o que encontrar, é viajar, é poder ler descolado do leitor comum, é ler, sorver um gelado, um doce ao lado da praia mais cheia de gente, é como ficar no sossego do rio, ouvir o som das águas, ver o vento arejar as ideias, e retomar do esquecimento um pouco de sua história deixada em cada lugar por onde cravou seus dentes. Assim, voltar para casa um dia, é sempre bom quando esquecemos um pouco do caminho de casa e nos perdemos para nos encontrarmos.


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