quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

As ilusões no tempo


“O homem se anuncia a si do outro lado do mundo, e volta a se interiorizar a partir do horizonte: o homem é – um ser das lonjuras.”
Jean-Paul Sartre (O Ser e Nada: ensaio de ontologia fenomenológica)

“Se é verdade que apenas podemos viver uma pequena parte daquilo que há dentro de nós, o que acontece com o resto?”
Pascal Mercier (Trem Noturno para Lisboa)




O que é percebido, o que é visto antecipado por já estar lá, é o que está fora do conceito, o conhecer disto é o poder de observação, ao longe. A distância é uma questão apenas de espaço, o transfenomenal da consciência na muda o ser transfenomenal do fenômeno, diria Sartre.
Mais próximo, é poder compreender que se existe algo é porque está lá, no canto de todos os objetos, de imagens inventadas, pensadas, antes mesmo de serem nomeadas e o que não precisa ser quantificado, por exemplo, a vida... é o que temos, o que está posto sobre o mundo.

A vida é o Tempo sem tempo a preencher o ar com inaudito das coisas pensadas ontem com aquilo que ainda estamos tateando: o perceber é a condição para se conhecer.

Pássaros de um real que não existe sobrevoam todas as manhãs a janela do meu quarto, então, o que existe é o que estou a sentir, o que está lá fora está mais vivo do que nunca, o meu olhar primeiro sente antes de começar a ver, vai à base, o espreguiçar primeiro, o som, depois se percebe o tempo vivo dentro de mim... o que está lá fora já existe sem precisar dos meus pensamentos.









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