domingo, 12 de janeiro de 2014

AS ILUSÕES DO TEMPO - PARTE 2

                  Imagem em Photo de André kertész


“Quem anda de cabeça para baixo, senhoras e senhores, quem anda de cabeça para baixo tem o céu como abismo.”

Paul Celan (Cristal)


“Não somos nós mesmo que compreendemos, ali. É sempre um passado que nos permite dizer: compreendi.”

Hans-Georg Gadamer (Verdade e Método II)






O tempo é o único momento que existe como real e como abreviação daquilo que está como existir, como “é”, o tempo é sendo, então, a partir deste instante ele deixa de margear o real, passa a ser para muitos uma invenção literária, para outros uma metafísica que não diz nada diante do absoluto do real. Mas o real não existe no momento, então, o tempo é muito maior que do que se imagina, não se tem a percepção, não se guarda, se vivencia, seja no subjetivo, no público, e em todas as esferas humanas há de estar o pensamento a jogar pedras no tempo.
Esse brincar no tempo é parte da datação, do dia-a-dia, do que acontece em que o ser-no-mundo está ali independente do desejo de estar, a natureza faz a sua parte, o tempo é como o mar, a metáfora do alargamento dos dias. O mar também vive, entre todos os tempos, datado, e o que o ilumina é o que o encobre diante dos olhos e vivencia o tempo como guardião do horizonte.
Heidegger discorre sobre o ser no tempo – “O sol data o tempo interpretado nas ocupações. É dessa datação que nasce a medida, mais natural, do tempo, isto é, o dia”.







Nenhum comentário:

Ranhuras da vida

“... acordou no cume de um sonho que se eleva no céu, como no cume de uma onda. E, subitamente, não se recordou de mais nada.” Ricardo Guilh...