sábado, 18 de janeiro de 2014

FILOSOFIA DE MIM MESMO

                                Sobre imagem de Max Perdigão


“Ouve: eu não dou conferências nem pequenas caridades,
Quando dou é por inteiro que me dou.”
Walt Whitman

É possível filosofar em alemão? Não.
É possível injuriar em todos os idiomas, inglês, o preferido.
É risível ter consenso, a maldição do século XXI.
O argumento não é mais neutro, é virulento,
É a forma de contrariar a filosofia, a ciência,
A virulência é traidora,
Jogou seus pares na mesma nau, a masmorra é a mais técnica das perfeições.
Ilusão é ter encontrado a razão,
Ela mora lá no cume de uma montanha sem a flauta mágica.

“Se você tem uma idéia incrível é melhor fazer uma canção
Está provado que só é possível filosofar em alemão.”
Caetano Veloso




domingo, 12 de janeiro de 2014

AS ILUSÕES DO TEMPO - PARTE 2

                  Imagem em Photo de André kertész


“Quem anda de cabeça para baixo, senhoras e senhores, quem anda de cabeça para baixo tem o céu como abismo.”

Paul Celan (Cristal)


“Não somos nós mesmo que compreendemos, ali. É sempre um passado que nos permite dizer: compreendi.”

Hans-Georg Gadamer (Verdade e Método II)






O tempo é o único momento que existe como real e como abreviação daquilo que está como existir, como “é”, o tempo é sendo, então, a partir deste instante ele deixa de margear o real, passa a ser para muitos uma invenção literária, para outros uma metafísica que não diz nada diante do absoluto do real. Mas o real não existe no momento, então, o tempo é muito maior que do que se imagina, não se tem a percepção, não se guarda, se vivencia, seja no subjetivo, no público, e em todas as esferas humanas há de estar o pensamento a jogar pedras no tempo.
Esse brincar no tempo é parte da datação, do dia-a-dia, do que acontece em que o ser-no-mundo está ali independente do desejo de estar, a natureza faz a sua parte, o tempo é como o mar, a metáfora do alargamento dos dias. O mar também vive, entre todos os tempos, datado, e o que o ilumina é o que o encobre diante dos olhos e vivencia o tempo como guardião do horizonte.
Heidegger discorre sobre o ser no tempo – “O sol data o tempo interpretado nas ocupações. É dessa datação que nasce a medida, mais natural, do tempo, isto é, o dia”.







quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

As ilusões no tempo


“O homem se anuncia a si do outro lado do mundo, e volta a se interiorizar a partir do horizonte: o homem é – um ser das lonjuras.”
Jean-Paul Sartre (O Ser e Nada: ensaio de ontologia fenomenológica)

“Se é verdade que apenas podemos viver uma pequena parte daquilo que há dentro de nós, o que acontece com o resto?”
Pascal Mercier (Trem Noturno para Lisboa)




O que é percebido, o que é visto antecipado por já estar lá, é o que está fora do conceito, o conhecer disto é o poder de observação, ao longe. A distância é uma questão apenas de espaço, o transfenomenal da consciência na muda o ser transfenomenal do fenômeno, diria Sartre.
Mais próximo, é poder compreender que se existe algo é porque está lá, no canto de todos os objetos, de imagens inventadas, pensadas, antes mesmo de serem nomeadas e o que não precisa ser quantificado, por exemplo, a vida... é o que temos, o que está posto sobre o mundo.

A vida é o Tempo sem tempo a preencher o ar com inaudito das coisas pensadas ontem com aquilo que ainda estamos tateando: o perceber é a condição para se conhecer.

Pássaros de um real que não existe sobrevoam todas as manhãs a janela do meu quarto, então, o que existe é o que estou a sentir, o que está lá fora está mais vivo do que nunca, o meu olhar primeiro sente antes de começar a ver, vai à base, o espreguiçar primeiro, o som, depois se percebe o tempo vivo dentro de mim... o que está lá fora já existe sem precisar dos meus pensamentos.