quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Dobras do corpo

                                              René Magritte- The Key to the Fields. La Clef de champs, 1936

                                                      
“Uma coisa é abrigar o ‘obscuro’, uma outra é tropeçar no obscuro como um limite”.
Martin Heidegger (Heráclito)



Eu bem que pensei que pensar em ti seria um dos meus últimos pensamentos de inverno, que a temporada do frio já estaria chegando ao seu tempo de esgotamento. A totalidade das imagens é que consumiram meus olhos que não se cansam de olhá-la através do divã, das janelas, das portas que estão abertas, que ora cerradas escurecem meu caminho... Dos seios, das bundas, dos acordes e das sinfonias e gemidos, eu que fiquei a ver navios morrerem nas águas do Guaíba, nas pedras pude mijar descansado olhando o vento levar o inverno, pude vê-la atravessar a avenida na multidão, nos gritos de gozos, no silenciar dos dedos entre as coxas... Em tudo, eu vi tuas ancas marcando a palma de minha mão com tintas da palheta e das dobradiças da janela do quarto.
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