domingo, 14 de julho de 2013

A cidade

                    © Ana Ferrary

A cidade de cheiros, de olhos de cruzada, crucifixo nas pernas, nos peitos, no pau emblemas, um adeus! A cidade é da gente, é dos que estão indo embora, dos que chegam aos borbotões, em suas peles, cores, dentes e gemidos, a cidade está dentro da gente. A cidade de gente que brinda o seu aniversário na dor do rio que agoniza em suas águas, aos olhos dos viajantes, de gente na alegria do gozo embebido, de gente que se ferra sem grana no bolso... A cidade está repleta de gente que morde seu pedaço de vida, que bebe seu vinho, que se aquece nos braços da gente. A cidade está cinza, a cidade está viva. A revolução é contínua.


“Mesmo quando o mundo cai aos pedaços, a Paris que pertence a Matisse estremece com brilhantes e ofegantes orgasmos, o próprio ar está cheio de esperma estagnado, as árvores emaranhadas como cabelos.”
                                                                                            Henry Miller

                                © Ana Ferrary

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