segunda-feira, 28 de maio de 2012

Paul Auster, Sunset Park



"Onde está agora? Com um pé de cada lado da fronteira entre a extinção inevitável e a possibilidade de continuação da vida"
Paul Auster




Paul Auster, Sunset Park é uma viagem a todos os imaginários que Auster soube construir em outros livros, não falta digressão filosófica, fotografia, cinema, literatura na literatura, homem no homem, cotidiano no cotidiano, humanidade perdida ao encontro vão de encontrar algo para se sair do atoleiro. Não falta musicalidade em sua escrita, o som das palavras soa aos atentos ouvidos notas musicais a sair de páginas desavisadas da vida a molhar os olhos, mesmo que tristes se alegram com a escrita fotografada no tempo dos personagens. É um voltar ao mundo sem a preocupação com a tecnologia, mesmo sabendo que tudo é tecnologizado, ler Auster é ficar parado no tempo com a tecnologia a meu dispor, sem perdê-la. Só usá-la quando termino a leitura. É mais ou menos a mesma sensação quando leio Heidegger; é o estar no tempo sem nunca ter me separado do tempo que não vivi, mas que sei ver como se vê a imagem que cruza ruas, lá onde caminho no frio, no calor, em todos os ângulos, mas por trás de tudo, existe outro olhar. Ler Auster é dádiva em um domingo que chega ao fim, ao sol que penetrou na pele como o texto que colou o corpo de impressões, que refez os olhos descansados da dor até findar a página.



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