sábado, 14 de abril de 2012

Baudelaire, o cômico

Tóquio pós-apocalíptica - Hisaharu Motoda


Eu os ofenderei talvez suas convicções de paisagistas, mas lhe direi que a água em liberdade é, para mim, insuportável; quero-a prisioneira, na canga, nos muros geométricos de um cais.”
Charles Baudelaire

Grotesco, é o que Baudelaire significativamente fez reflexão, o que Benjamin lembrou o “cômico absoluto”, o oposto da comicidade com significância. Para um flâneur, lembrar que o significado das coisas tenha o exato sentido do que elas são, é como precisar o voo de um pássaro em tempos de razão desasada. Ninguém mais fala da cínica, da razão, aquela que foi o medo, o alarido dos porta-vozes do conhecimento. De outro lado, ainda persistem os carimbadores da cultura no Sul do Sul do mundo, no Rio Grande do Sul, ainda eles continuam sem compreender bosta nenhuma da verdadeira ironia da vida. A literatura é o pensar de paisagista, o pensamento por onde andou e a filosofia com convicções. É a literatura que colocou a filosofia em uma caverna da linguagem. A filosofia não tem nada a ver com seu voo raso, deixamos de voar pela própria técnica que nos fez ir mais longe. Longe de todas as possibilidades. Os dois movimentos nunca sacaram nada do que um dia Baudelaire soube, nem do que Benjamin nos disse que o Outro, o sabedor das imagens do cotidiano, o que Baudelaire legou aos irônicos da linguagem. 

                                                                        
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