sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Ler ao sol, Ler na Feira do Livro


Telhados de Paris


“...é o desconhecido que irrompe sobre nós. Cessamos de nos conhecer no futuro.”
Octavio Paz


Hoje começa a 55ª Feira do Livro de Porto Alegre. Esse é o Ano da França no Brasil. Eu como um editor francófono, um convicto e apaixonado pela literatura, o cinema e principalmente pelos filósofos e sociólogos que influenciaram em muito meu pensamento anárquico-poético e imagem em movimento, estão um pouco na feira. Lá estarão em livros que edito e por alguns cantos da praça em outras barracas, como se costuma chamar o estande. Está armado o palco dos livros. Eu me situo, percorrerei as alamedas da praça, até o cais do porto da cidade. Serei mais um leitor perdido entre os papéis que ainda embelezam os olhos que leem e buscam o prazer nos livros. O livro, para mim, como leitor e editor é paixão, o resto são construções para erguermos as instituições da vida, do saber etc.
Um negócio lucrativo que só dará certo se ainda existir leitores. Nem falo dos altos preços do livro, até porque sei a dificuldade que um editor tem para sonhar e publicar os livros que fazem parte dessa Paixão. Ler ao sol, na praça, algo que ainda fascina muitos que irão à Feira do Livro de Porto Alegre. Deveriam existir cadeiras ao longo do cais, com guarda-sóis para as pessoas lerem e ver a tarde se pôr.

Lembrando Nei Lisboa


"E uma paisagem tão comum
Telhados de Paris
Em casas velhas, mudas
Em blocos que o engano fez aqui
Mas tem no outono uma luz
Que acaricia essa dureza cor de giz
Que mora ao lado e mais parece outro país
Que me estranha mas não sabe se é feliz
E não entende quando eu grito."
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