sábado, 21 de março de 2009

O Carteiro sempre toca duas vezes


Ossessione - Visconti (1943)

"É preciso portanto que não somente o espectador mas também os protagonistas invistam os meios e os objetos pelo olhar, que vejam e ouçam as coisas e as pessoas, para que a ação ou a paixão nasçam, irrompendo numa vida cotidiana preexistente."
Gilles Deleuze



A sensação ótica, sonora do ambiente. O entrar no imaginário. O que deixa de ser sensório-motora e passa aos sentidos, em que a ação não é a prioridade e sim o vagar sobre as imagens, o som, que depois entre cores, se tornou o signo entre vozes e gestos. O cinema falando, falado entre os tempos. Ecran como palco dos sentidos. Para além das ações. Todo real se desfaz em sensações, os objetos antecedem os fatos. O caminhar é o passo dos olhos que dão vida ao movimento. O cinema é a lembrança que perdeu o caminho de casa.

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