sexta-feira, 17 de outubro de 2008

O elogios dos metralhas


Documentário sobre o Cartola
À memória do amigo Vitor Hugo Turuga



"Volto para casa exausto, cansado da face humana" Albert Camus


Não seja cruel com os garotos de pretos, com os críticos que silenciam. Seja algoz de uma vez por todas.
Reúna todo arsenal de pedras, de areia e dos ventos que sopram lá dos lados dos castelhanos, como se dizia na fronteira.
É uma questão de padrão de cultura mesmo. Um belo dia, um formador de opinião, um crítico legitimado pela academia, alguém importante diz: "Esse é o cara, olhem, prestem atenção, ele escreve diferente de todos. É o escritor do século XXI!!!!..."
Tudo é uma questão de ser bonito, ser alegre, um pouco entediado, bacana, egoísta sempre, mas um coração de esquerda. Gostar das coisas novas e ao mesmo tempo gostar de nada das coisas novas, apenas gostar do que os outros acham que todo mundo gosta. Nunca anarquizar como Artaud um dia fez e foi considerado louco, um perigo para o tecido social. Ser correto. Incorreto quando é conveniente e ser de esquerda sempre, a cultura é de esquerda, a cultura é de esquerda, nunca anárquica, porque aqui, e quase todo esse país, anarquismo é uma forma de socializar a arte, de levar para a rua e um belo dia mamar nas tetas do Estado. Conheço todos eles. Todos nós conhecemos. Então, ser de esquerda é o imperativo, esquerda racional com o poder. Que belo paradoxo para os filósofos dos plantões. Sei, quase ninguém tem mais bem claro o que venha a ser isso, ser de esquerda num país onde tudo é conveniente e desde que a fundação, que o projeto seja aprovado, que a vida seja legitimada pelos arautos que escrevem manifestos em nome dos que são considerados os “escolhidos”. Não és um escolhido. É a andragonia na cultura que vivemos sem saber bem mesmo o que vivemos, porque todo mundo é conservador, todo mundo tem medo daquilo que é o mesmo que a diferença causa no cotidiano, ou seja, ela se apresenta, mas as pessoas precisam dos que legitimam o que elas sentem, experimentam. Aí depois chegam nos dizendo da “doxa” da “episteme”, da puta que o pariu. Eles têm o gosto mais banal e tacanho que eu conheço. Como te falei, elas precisam sempre consagrar o consagrado. Quero ver consagrar o errado, o errado, o mesmo do diferente ou diferente no diferente. Quero ver esses putos, todos, todos, sendo comidos por suas ignorâncias e seus modelos modernos, e como esquecimento de tudo, eles serão lembrados pelos novos que irão perpetuar a cultura. Os que legitimam serão salvos. Nós somos de outra tribo, somos da derrisória gargalhada que olha a vida com desconfiança e lemos o que tem exatamente de diferente no novo e no velho. Nós, alguns poucos milhões espalhados pelo mundo, acho que não chegamos a fazer uma republiqueta de diferentes. Somos poucos e os melhores.
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