domingo, 17 de agosto de 2008

Barroco do Vazio























"Pois a escrupulosidade de nossa razão nos força a uma terrível inescrupulosidade de sentimento". Robert Musil (O Homem Sem Qualidades)


Existem textos, livros que existirão em mim. Depois de lidos acabo um dia retornando às páginas destes livros, seja porque o livro está na memória, porque ele faz parte das preocupações do momento, ou pelo simples fato de ser um livro, um daqueles que você leu e nunca mais conseguiu esquecer e marcou para sempre em você a palavra na memória. Um dos tantos que já li, do alemão Robert Musil, “O Homem sem Qualidades”, que retomei esses dias e lendo pelo meio, vi que era melhor reler de um todo e já estou envolvido novamente. Percebo o quanto tem de coisas que me marcaram e não conseguia saber de onde eu tinha pensado. De onde eu tirei esse pensamento? Quem me autorizou pensar assim sobre os homens, sobre as relações, sobre o mundo que nos deixa no buraco, entre quatro paredes, só para lembra do novo Auster, do novo “Solo”, do Juremir, o romance da derrisão, dos esquartejamentos da alma e da cultura?
Leio novamente Musil por causa deles, da melancolia. Deixo de ler Saramago exatamente por causa disso. Não vejo nada nele, nem melancolia nem “Years of Solitude” e só a crítica ao homem que se perde nas crenças. Eu amo a crença do outro, desde que fique longe dos meus livros.
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