domingo, 4 de maio de 2008

Ao acaso, isso é vida e literatura

(Fim de tarde no Sena)

"Dedicatória: Me ame, ame meu guarda-chuva" James Joyce


Depois de ler Sandra no blog Fantasias de Escritura — O Romance — sobre o ponto de fuga para o romance me veio uma enxurrada de textos à cabeça. Veio com essa chuva de fim de semana que não dá trégua. Veio primeiro Marcel Proust no ensaio sobre Flaubert, autor que ele não se refere como um grande entusiasta e anota aos meus olhos: “creio que só a metáfora é capaz de conferir certo tipo de eternidade ao estilo, e talvez não exista em toda obra de Flaubert sequer uma única bela metáfora”.

Depois me veio Paul Valéry nos Cadernos quando escreve:

Fazer pensar
“Não cabe ao autor, mas ao outro fornecer os seus sentimentos. A finalidade de uma obra — honesta — é simples e clara: fazer pensar. Fazer pensar, a contragosto, o leitor. Provocar atos internos.”

Maurice Blanchot: “A posteridade não é prometida a ninguém e não faz a felicidade de nenhum livro”. Quando a leitura chega a nós, sempre a primeira vez, poderá não ser definitiva. Outro dia leremos novamente, outro sentimento, outro momento para se pensar.

Depois James Joyce no belo Giacomo Joyce:
“Teia de aranha sua caligráfica, traçada longo e fino com tranqüilo desdém e resignação: uma garota de categoria”.
“Ela nunca assoa o nariz. Uma figura de linguagem: o menor em lugar do maior.”
“Uma pessoa adorável. Meia-noite, depois do concerto, sempre subindo a via San Michele, estas palavras foram ditas em surdina. Vai com calma, Jamesy! Por acaso você nunca andou pelas ruas de Dublin de noite soluçando um outro nome?”
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