sexta-feira, 2 de maio de 2008

A resposta poética à verdade é filosófica


Blue nude de E.E. Cummings

O que oculta e é velado no discurso é o que está apenas esperando para ser dito? O ceticismo de Nietzsche em relação às pretensões de verdade da ciência são desígnios contra o pensamento que fecha o pensar e para isso ele parte da origem, da Verdade primeira que já trouxe lacrado as possibilidades e Deus, é o primeiro como verdade. Daí a ciência tem esse valor de ser fanática em seu postulado para Nietzsche. É o psicologismo que no fundo não atinge a ciência mas é o importuno discurso sobre o que deve ser dito e pensado.
Quando a ciência ocidental se formou como discurso? Gadamer remonta, “quando os gregos formularam esta ciência, separaram o Ocidente do Oriente e colocaram-no em seu próprio caminho” (§ 46 p.59). É o que dá para se pensar que a nossa vontade de conhecer tenha se formado nesse ímpeto, bem antes mesmo do pensamento monoteísta vir à tona. Foi a salvação do pensamento contra as verdade da religião, as posturas da ciência, do pensamento ideológico.
Depois tivemos Heidegger, a resposta poética, como prefere Rorty, a filosofia próxima do poeta para afirmar e combater novamente a verdade da ciência.
Gadamer leva-me ao ponto não do ceticismo, mas das linguagens atuais, dos métodos e me remete à crítica da objetivação, das supostas construções acadêmicas tecnológicas do saber:
“Experimentamos constantemente formas de comunicação para aquilo que não é objetivável, formas que nos são proporcionadas pela linguagem, inclusive pela dos poetas” (§49, p.63).
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