sábado, 15 de setembro de 2007

A Verdade não me seduz


Foto de Sophie Calle






A Verdade anda longe das possibilidades da Aventura e da Liberdade. Aventura pára em um ponto onde a linguagem possa ser alcançada e sem que depois nos arrependamos do que pensar nos possíveis estragos. A aventura das palavras e das frases, aquilo que Paul Ricoeur nos mostra, “ela faz surgir, no próprio cerne da semântica da palavra, uma incerteza, uma inquietação, um espaço de jogo, a favor do qual se torna de novo possível lançar uma ponte entre a semântica da frase e a semântica de palavra”. Uma interação entre a aventura e o que se escreve sobre o que se pensa e dizemos.
Retomo todos os dias, pelas manhãs preferencialmente, temas que considero pertinente à compreensão do cotidiano. Um deles é sobre o postulado da palavra Verdade nesta compreensão. Não há juízo nenhum que me faça a crer que a Ciências Humanas se vale dela para poder melhor chegar a conclusivas sem que o fim possa ser surpreendente. Mais uma vez, isso, escrito apenas em 1977 por Barthes, no livro “Leçon”, lá se vão anos, e o positivismo na cabeça dos acadêmicos ainda dá o nó necessário para no mínimo afastá-los de vez da compreensão do cotidiano de uma leitura mais livre das escrituras. Adeus ao pensamento único e salve a transdisciplinaridade!!!
A “literatura trabalha nos interstícios da ciência”, escreveu Barthes e mais: “A ciência é grosseira, a vida é sutil, e é para corrigir essa distância que a literatura nos importa”, e depois é ler Morin ou Deleuze, Lyotard para arejar numa manhã de sábado.

Um comentário:

Ju disse...

quando as palavras fazem a mediação dos seus pensamentos cotidianos acho que a verdade anda de mãos dadas com as possibilidades da aventura e da liberdade.
adoro lê-las...
beijos, Luis!

Ranhuras da vida

“... acordou no cume de um sonho que se eleva no céu, como no cume de uma onda. E, subitamente, não se recordou de mais nada.” Ricardo Guilh...