terça-feira, 11 de setembro de 2007

As imagens percebidas


Sophie Calle







Duas imagens agora em minha memória, a primeira do poema de Baudelaire “Car je sui ton bom ange” de eu ser teu anjo bom e a outra, Paul Celan “iça, onde moras, sua capital, a inocupável”.
Retomar esses signos como força de expressar uma manhã de sol, em que os anjos só aparecem em sonhos, a morte ronda e vigia os que dormem e depois, percorrer os lugares inocupáveis da cidade invisível.
Como se o telefone ao lado pudesse rever os escritos fenomenológicos de Merleau-Ponty quando diz que “o movimento de reflexão ultrapassaria a finalidade: transportar-nos-ia de um mundo fixo determinado a uma consciência sem falha, ainda que o objeto percebido seja animado por uma vida secreta e que a percepção como unidade se refaz sem parar.”
Percebo que não adianta usar o telefone ou simplesmente entrarmos na blogosfera para ter a compreensão da vida secreta de um anjo ou de uma cidade escondida.

Um comentário:

Ju disse...

que lindo. texto sentido e interiorizaado fenomenologicamente!
; )
beijão, Luis!

Ranhuras da vida

“... acordou no cume de um sonho que se eleva no céu, como no cume de uma onda. E, subitamente, não se recordou de mais nada.” Ricardo Guilh...