domingo, 30 de setembro de 2007

O homem nômade e o imaginário de uma geração


Foto de Jean Baudrillard




“A menos que, por uma alquimia cujo segredo é preciso encontrar, as armas da crítica possam servir à crítica das armas.” Michel Maffesoli

“Meu partido é um coração partido e as ilusões estão todas perdidas. Os meus sonhos foram todos vendidos...” Cazuza



Palavras-chave: imaginário, ideologia, lógica da dominação.

O homem nômade ergométrico lembra da letra em que Cazuza cantou “ideologia, eu quero uma para viver”. Cazuza, esse istmo entre os sonhos da Modernidade e o desencantamento, não da poesia, mas do fato de se estar no mundo, acreditando na tão prometida revolução e nos valores mais supremos que poderiam estar chegando a um Brasil “jovem”, como os ideólogos gostam de proferir.
Aquele garoto viveu antes de todos o imaginário da “revolta da poesia”, qual Maffesoli escreveu nos anos 70 propondo um pouco da aura marginal do onírico para combater a racionalização dos excessos da ideologia. Daí, mais tarde, a revolta da poesia procurar a ideologia apenas para se viver o prazer para não se transformar futuramente em risco de vida.
Não há confusão nisso, há apropriação de termos, conceitos apenas por parte dos ideólogos, porque eles jamais entenderiam o que Cazuza tentou dizer, porque sempre acharam que Cazuza gostaria de ter essa ideologia social. A constatação está nos heróis que morreram para ele, seja na luta armada ou de overdose. A dose era de Vida e não de ordem.
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