quarta-feira, 29 de agosto de 2007


Foto de Jean Baudrillard, Lisboa, 1986



Da idéia ao virtual



“Quando a obra de arte se reclama de uma virtualidade na qual mergulha, ela não invoca qualquer determinação confusa, mas a estrutura completamente determinada, formada por seus elementos diferenciais genéticos, elementos tornados virtuais, tornados embrionários.”
Gilles Deleuze

Deleuze escreveu lá pelo final dos anos 60, século XX, em sua tese, “Diferença e Repetição” de que não parávamos de invocar o virtual. Isso é que tem de mais ontológico-existencial-tecnológico para a época. Hoje se legitima os conceitos de virtual, de blogosfera como se fosse a maravilha que está fundando, solidificando os verdadeiros discursos e que irão eleger os legítimos arautos da discussão. Puro engodo terminológico. Tentativas de demarcar terreno na discussão central, que é mesmo a reflexão sobre o atual, como um dia escreveu Deleuze.
Um blog, lendo Deleuze que buscou em Proust para pensar o virtual que dizia dos estados de ressonância: “Reais sem serem atuais, ideais sem serem abstratos”.
Maquinaria de Linguagem é o exercício de reflexão do dono sim. É o corpo encarnado na alma do homem nômade ergométrico, a contradição. Porque se é nômade não está parado e se é ergométrico está em sua esteira ou bicicleta ouvindo música e lendo, escrevendo, sobre si, sobre o mundo, e suas reflexões não precisam de legitimação por usar o espaço virtual, a rede, mas pelo simples fato que ali ele faz a reflexão.
A vaidade humana é o egoísmo mais próximo do indeterminado conceito, mas prefiro “noção”, sobre o virtual que apresenta a diferença como início de toda reflexão.
Maquinaria de Linguagem é ensaísmo filosófico, literário e discorre sobre a sociologia compreensiva a comunicação e incomunicabilidade das relações. Trabalha com o cotidiano cravado no peito do autor. As paixões pululam todos os dias, a cada sol e todo fim dos fins e dele não escapa nem a dor esquecida na última lágrima.
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