terça-feira, 26 de junho de 2007

A partilha dos sentimentos na hora da fome


Kandinsky  



“O ato de arrancar a máscara de outra pessoa é punido com sentença de morte. Durante o seu período de atividade, ela é intocável, invulnerável, sagrada. O que existe de certeza na máscara, sua facilidade de compreensão, está carregado também de incerteza.” (Elias Canetti
) 


É como se dividíssemos o alimento, feito alcateia movida pelo prazer de comer a presa. O lobo se alimentando de sua presa é a tentativa de arrancar a máscara dos personagens que sobrevivem diante do telespectador, mas a fome entre todos existe e nunca nos sentiremos satisfeito com o alimento que existe a nossa disposição. Logo queremos mais. A liberdade é o espelho dos que, nus, se encaram como se pudessem dizer ao mundo, “olhem, como sou livre!” A vida se metamorfoseia entre a fome e o desejo de ir devorando sua liberdade. 
As pessoas sensíveis são presas fáceis aos lobos, mas o que impressiona são as fêmeas, lobas, sem distinções, devorando seu alimento e esquecendo que também são mulheres. Apenas uma metáfora do existente com o desejado, porque entre o “estado final da metamorfose” diria Canetti, é o “personagem” e não pode ser confundido com o “gênero” ou “espécie” que a ciência moderna costumou a delimitar. Não tem limite para se manter a máscara, a deusa com cabeça de vaca, o Thot, um homem com cabeça de íbis. Tudo se resolve nas trocas e na reserva de sentimentos que os humanos têm para suas viagens ao desconhecido. 
Assim somos na vida, personagens livres que nos mostramos e nos ocultamos diante do outro, daquele que supostamente serve de nosso companheiro. Como se sentíssemos a falta do lar, do aconchego e lá retornássemos saciados das viagens e cansados, sem antes, é claro, de não realizaremos a metamorfose final, porque temos medo que a máscara caia. Somos parte dessas faces entre os rostos limpos e os que mantêm a máscara viva e retomo a questão dos que nos fazem obter com maior facilidade o nosso alimento, a partilha da carne, dividida entre a alcateia, onde cada um se alimenta para saciar a fome e não para salvar a sua pele.

2 comentários:

Ju disse...

q texto lindo... virei freqüentadora do blog, hahaha!
=)*

Aletéia by Ale disse...

heheh bem vindo ao mundo dos blogs!
Sucesso..
lindo o texto...

bjs

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