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quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Caminhar à deriva

                                                                    Guilherme Monteiro
                                                                       

O tempo não mudou, o que mudou foi a prioridade"
Mario Sergio Cortella


As pessoas escravizadas pelo conceito do trabalho limitam-se à prática da vida e não praticar a vida no seu uso mais ordinário, a de viver na busca de tudo e de nada, o de simplesmente viver o instante em cada investigação de sua subjetividade. Depois, o mais adiante é o que está em frente a si mesmo, o prático da vida. Ter essa força interna faz com que lidamos melhor a vida, é como saber ouvir o som das coisas, como saber compreender o sentido da linguagem que sai dos sons, saber flutuar nas cores existentes na palheta do pintor.
Sim, é preciso termos mais tempo no nosso tempo de pensar sem o pensamento prático, buscar um pouco mais o ato de indagar, o investigar é a esperteza que só aprendemos com a vida, com aqueles que souberam viver bem esse tempo. Aí, a importância de um dia termos andado de mãos dadas com os pais, com a nossa mãe pelas ruas da cidade escura. A noite é o silêncio que nos leva ao ato de ir ao tempo na busca da compreensão infinita das coisas, é a descoberta de que somos donos das cores do sonho. A arte é minha, o sonho é meu, enfim, aboli a filosofia prática.
                               Odilon Redon 



Ranhuras da vida

“... acordou no cume de um sonho que se eleva no céu, como no cume de uma onda. E, subitamente, não se recordou de mais nada.” Ricardo Guilh...