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quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Auster e o Imaginário na Literatura



O Quarto 666 de Win Wenders. Godard em depoimento.

Deixei o último post de 2008 para o autor que é um dos que mais me influencia na maneira de pensar a literatura, ao Paul Auster. A literatura de Auster não tem a proposta de reparar a realidade impossível e não é o autor que irá compensar essa perda. A narrativa não lamenta, não chora o mundo que o autor gostaria que existisse e nem idealiza o melhor dos tempos perdidos. A metáfora não é para mostrar ao mundo o quanto a humanidade anda perdida, mas sim para perder o leitor na forma como o autor escolhe o acaso para passar com seus personagens no imaginário que encontra no cinema, na literatura, no pensamento uma forma de refletir a condição humana.

“O mínimo possível. Fico melhor se reservo meu pensamento e minha memória para o dia. Na maior parte do tempo, à noite, fico narrando uma história para mim mesmo. É isso que eu faço quando não consigo dormir. Fico deitado no escuro e conto histórias para mim mesmo.”
(p.153)

“O real e o imaginário são um só. Pensamentos são reais, mesmo os pensamentos sobre coisas irreais. Estrelas invisíveis, céu invisível. (...) Toque em mim, alguém, toque em mim. Ponha a mão no meu rosto e fale comigo...”
(p.162)

Ranhuras da vida

“... acordou no cume de um sonho que se eleva no céu, como no cume de uma onda. E, subitamente, não se recordou de mais nada.” Ricardo Guilh...