Mostrando postagens com marcador Ensaio antropológico - Filosofia - Literatura - Sigila - Segredo - Canetti - Barcelona - Gaudí. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Ensaio antropológico - Filosofia - Literatura - Sigila - Segredo - Canetti - Barcelona - Gaudí. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 21 de abril de 2016

O segredo





“A um ele confia uma coisa e confia outra coisa a outro, certificando-se de que eles jamais irão comunicar-se entre si.”
Elias Canetti


Vivemos num mundo onde o segredo deixou de existir, em que tudo o que é pensado, antecipadamente, já é sabido. O segredo é o lugar em que o indivíduo se submete à verdade daquele que sabe calar. Nas ditaduras o segredo é a vitalidade dos que sabem mandar, e principalmente dos que temem por algo que foge do seu controle. As massas alardeiam, o poder consente o seu silêncio em fúria. O poder mata o Outro com seu segredo, a massa divulga e joga o corpo aos leões. Todo segredo pode ser para o Bem e para o Mal.

O calar dos que recebem ordens é fruto do bom entendimento entre o que sabe mandar e o que sabe seguir as regras de forma ordeira. Esse fantasma jamais deixou de existir. As ditaduras de Direita e de Esquerda são o espelho dos que entendem o calar. Canetti demonstrou que o mais profundo dos segredos “é o que se desenvolve no interior do corpo”. Por estas bandas o que mais se sente no ar é o palavrório dos que falam e falam, mas calam quando deveriam se manifestar. Todo homem que fala demais é certamente o que tem a informação em seu excesso. O certo era ter um pouco de desconfiança, mas todo que demais se cala, deveríamos suspeitar ainda mais. Canetti observou que o segredo dos que calam é a certeza de sua sábia dedicação e inteligência de guardar o segredo dos poderosos, do outro lado, os que falam demais, também, podem estar entregando o ouro aos silenciosos donos do Poder.

O segredo, aquele que detém o poder sob o seu comando, consegue municiar o presente, ele mesmo é o que mais sabe preservar o segredo. Ao mesmo tempo, que tem o controle sobre o segredo, ele não consegue na sua amplidão ter o controle dos segredos existentes no tecido social. O ato de dissimular é propriedade de poucos que sabem manter o sigilo do seu lado. Aliados do silêncio, seus propósitos nunca deixam que o seu segredo se iguale aos demais, pois ele, o que controla, sabe medir o quanto o segredo que detém é preponderante ao imaginário social. 
Imagem: Parque Güell - Barcelona

Ranhuras da vida

“... acordou no cume de um sonho que se eleva no céu, como no cume de uma onda. E, subitamente, não se recordou de mais nada.” Ricardo Guilh...