“Nada mais estúpido do que aprender decorando. Mas,
se não se exercita a memória, ela se atrofia. Então, repisaram as primeiras
fábulas de La Fontaine.”
(Flaubert, Bouvard e Pécuchet, p. 314, Estação
Liberdade)
Nem tudo o que observo é o todo da minha imaginação.
A imaginação anda solta, presa ao dono ela sobrevive à
moral, por isso o dono se desliga da imaginação.
A roupa que usas é a aparência mais exata dos teus
sentimentos.
O que achas dos meus olhos? Sei, tu és o negativo do
acobertamento, por isso andas a pensar que sou invisível.
A rua da minha infância é o retrato de minha alma
adulta, a solidão vaga no tempo como a idade viaja à cidade.
O desafogo do enamorado só se realiza no momento em que
ele percebe que não dá mais pé.
A melhor maneira de suprir a solidão é inventar um jeito
de dormir com ela sem roncar.
Proteja sua amada, ela não tem culpa de que o lixo da
cidade é uma questão de desamor pela vida.
A maior ofensa à língua é morder a própria caudal dos
pensamentos e desconhecer a grandiosidade do acaso. (à Paul Valéry)
