sábado, 20 de maio de 2017

Técnica dos cupins e o blogueiro




“Dois mil e quinhentos anos depois da tecedura de Platão, parece que agora não só os deuses, mas também os sábios se retiraram, deixando-nos sozinhos com nossa ignorância e nosso parco conhecimento das coisas.”
Peter Sloterdijk

        Definitivamente o determinismo decretou que os blogs estão em crise, que as pessoas migram mais rápido que cupins de uma madeira a outra, que passam num movimento rápido à noite e que de durante o dia já se percebe que ali viveu um blog. Ninguém naquele espaço habitará mais, a não ser o vazio de caracteres deixados consiga ser a metafísica constante das linguagens trôpegas de uma modernidade cínica.
Assim penso, será que foram os blogs que migraram à noite para outro espaço em caracteres em uma necessidade causal, que no lugar onde existia uma linguagem restou uma pasta oculta e que um dia alguém ainda irá lembrar? Ou mesmo, posso pensar, que de onde havia a linguagem nunca existiu destino e significados em sua textura, que tudo é fruto dos que pensam em guardar apenas na memória. Nem memória existe mais agora, a não ser que fique impresso e guardado em uma gaveta imaginária onde cupins não possam abocanhar. Nem a nuvem consegue suportar a memória, ela exige demais, é altamente corrosiva, poderia muito bem acabar com o esquecimento, desmitificar previsões e mudar o rumo do que era um determinante e se tornar em fractais.
O fim é o espelho da repetição diferenciada, não existe propriedade do que se espelha se não tivermos a velha crença de que a ideia combinada com a lógica dos acontecimentos só permanece se puder continuar corroendo as madeiras.
As nuvens que alimentam e guardam memórias são raras hoje em dia. Nem um pouco de sentimentalismo, mas uma porção de devaneio nos permite esquecer o acontecimento, depois é crer que o agora é diferente do antes. Como diz o designer, “o que parece simples para mim, talvez seja complexo para outra pessoa” (Vitor Lourenço), mas o que é complexo nunca deixará sua complexidade pelo simples fato que o finalismo contemporâneo está mais para uma migração do que para uma etapa avançada do pensamento.     
O grau de complexidade é a luz de linguagens jogadas no tempo e para que alguém pessoa possa tê-la é não necessariamente poder tornar simples o seu grau de uso. E, hoje, definitivamente a imagem é apenas o cenário em movimento às linguagens que correm tempo das certezas. Para os fins dos determinantes e para novas crenças existirem serão imprescindíveis sujeitos privilegiados ou não. Estar rompendo e descobrindo a melhor maneira de desmitificar o destino é tarefa do pensamento.

(texto ampliado de 2011) 

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