domingo, 10 de janeiro de 2016

Beijo no Cristal


     Anselm KIEFFER – Melancholia, 1988

“Vai
Para o olho,
Para o úmido.”

“o mundo, um cristal em mil
Irrompeu, irrompeu.”
Paul Celan

Quando eu começo, o fim chega ao começo,
O beijo é o toque leve da vida, a profundeza,
O sonho e a dor no desejo.
O fim, o toque no teu céu.

A língua ávida, afiada para a vida,
O fim da estrada que avança ao léu,
Sumir nesta boca é correr o risco de viver,
De andar e desenhar com os olhos no rio,
O que desce e molha até o fim do mapa,
Avança sem trégua ao corpo.

A cidade é o espelho do mar que avança,
A tela que apaga a cor do dia, o último sol,
O brilho na janela do olhar,
Uma luz entre as pernas escoa na escuridão.

Os lábios no copo, o mundo entre mãos,
Um sinal de vida na barricada das margens,
A última olhada é na mancha que surge ao longe,
Olhar se perde na tristeza das águas.

Nenhum comentário:

Ranhuras da vida

“... acordou no cume de um sonho que se eleva no céu, como no cume de uma onda. E, subitamente, não se recordou de mais nada.” Ricardo Guilh...