quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Atira-te ao Rio


“Os panoramas, que anunciam uma revolução nas relações da arte com a técnica, são ao mesmo tempo expressão de um novo sentimento de vida.”
Walter Benjamin



Poucas músicas são como poucos olhos a ser visto na distância dos olhos. Ocultos, bem próximo da memória, minha mão acompanha o pensar, a curva do olhar dobra o velho porto abandonado. Então, eu estava a olhar o outro lado das coisas, estava a caminho do rio, passei por bares, mistura de sons, a alegoria das cores que vinha do rio, a conversa dos olhos, o sentido da música, o fim da rua. Estava à beira do Tejo. O fundo do rio surgia uma mesa na passagem do passado ao presente, um bar, o som perdido no vento brando das águas no ritmo contrário da cidade. As pessoas de um lado ao outro vinham ao mesmo tempo de onde estava olhar, a construção dos olhos é como um barco que aporta no velho cais. Algo que procurei, um som que não escutava, desde um tempo não tão longe dos olhos mas longe do sentir, a memória não deu trégua, veio com tudo, trouxe o som com a força da correnteza. Estava ali, os pés voltado ao Tejo. 



Ranhuras da vida

“... acordou no cume de um sonho que se eleva no céu, como no cume de uma onda. E, subitamente, não se recordou de mais nada.” Ricardo Guilh...