sábado, 6 de junho de 2015

A nadadora







“Qual o sentido da vida? Isso era tudo ‒ uma pergunta simples: das que tendem a agrilhoar uma pessoa com o passar dos anos. A grande revelação nunca chegou.”
Virginia Woolf (Rumo ao Farol)


Teus braços avançam,
Tuas pernas no fluxo das águas
Tua boca respira no momento certo,
O encontro da existência com o dia,  
Amanhecer,
E lá está a nadar em águas turvas,
Nada é o fim, a cabeça em movimento,
A direção do corpo no vazio das águas.
O maiô Bordeaux em vinho de sonhos,
A juventude flutua na agitação dos sons,  
A pele úmida,
De lábios a sorver o sal.
Olhos devoram, abertura de pernas,
Move o movido do pensamento,
Nadante, serpenteia, imersa,
Nudez que singra o cloro da piscina.
O céu é tua pele aguada, o sorriso molha,
O corpo que marca e transparece,
Seca aos olhos do observador.
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