quinta-feira, 21 de maio de 2015

Caminhar no neologismo

    Luis.A.P.G - Nice-France



“Anseio que tudo desapareça. Desapareça obscuridão. Desapareça vazio. Desapareça anseio. Anseio vão que desapareça anseio vão.”
Samuel Beckett




Tenho caminhado na obscuridão, na mesma calçada, penso que tenho ido bem até hoje. Solidão sem dor, sem referência definida, um ato de apagar as luzes, se sentir entre o medo da escuridão e o viver com a falta de luz, na escuridão é que vivo só e bem acompanhado pela penumbra da luz, o abajur à meia-luz, o lusco-fusco do olhar as luzes da cidade ao fundo. O mar é a obscuridão do olhar perdido, é o apagão do olho a obnubilar o pensamento que morre de medo da escuridão, o mar é a escuridão do dia que vira do avesso o voo cego do navegador. Pensar sobre a linguagem é usar as cores do signo diante do obscuro olhar perdido na margem. O neologismo me salva da obscuridade da luz que nem brilha nem embaça o caminho do caminhante.
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