domingo, 24 de maio de 2015

Natação Filosófica

                  © Stephan Vanfleteren


Abrace a memória, afronte o esquecimento,
Para alcançar a história é preciso ver mais longe.
Ame os botões, os próprios, a história não delega poder.

Invente um jeito de sair do Tempo, use o todo do Tempo,
Cruze ruas, cidades, organize seu coração,
Fortes emoções hão de chegar.

Não escravize seu sonho, não entregue em mãos alheia,
Cruze o oceano do olhar, não fique preso nas imagens,
Não deixe eles te levarem para a austeridade das ideias.

Arraste seu barco para bem longe,
Nade para o outro lado da margem,
Respire fundo, descanse o pensamento.
                          (The Swimmer) de Lynne Ramsay
                                       

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Caminhos do neologismo

  Tiro instalação de Mile de Duchamp de String, uma imagem original John Schiff, 1942, Philadelphia Museum of Art.


“O desejo é fundamental polívoco, e sua polivicidade faz dele um único e mesmo desejo que banha tudo.”
(Kafka: por uma literatura menor)

“...formas de corporeidade, de gestualidade, de ritmo, de dança, de rito, coexistem no heterogêneo com a forma vocal. ”
(Mil Platôs)
Deleuze e Guattari


Ainda sobre o neologismo no pensar, o pensamento é um voo que vai além da univocidade, ele tem sua pluralidade no efeito dos significados. Está certo, o significado é preciso mas ele percorre o signo como um estilhaço de origens. O fato de existir a criação, de recriar naquilo que já existe outros existentes nomes é o que legitima a polivicidade dos nomes.
Um nome sozinho é um achado no meio da linguagem, é o que faz o filósofo da contemporaneidade, não recorrer apenas o existente e não se iludir com os nomes, flexibilizar os caminhos, romper barreiras com a força da linguagem. Não existe um sem outro, o pensamento e a linguagem não estão isolados. Mesmo com o artificialismo das coisas, até aí foi preciso o pensar sobre a origem da polivicidade das formas. O pensamento serve ainda para contribuir nos mistérios da criação, a linguagem é o caminho do neologismo desterritorializado no fluxo da linguagem do cotidiano.

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Caminhar no neologismo

    Luis.A.P.G - Nice-France



“Anseio que tudo desapareça. Desapareça obscuridão. Desapareça vazio. Desapareça anseio. Anseio vão que desapareça anseio vão.”
Samuel Beckett




Tenho caminhado na obscuridão, na mesma calçada, penso que tenho ido bem até hoje. Solidão sem dor, sem referência definida, um ato de apagar as luzes, se sentir entre o medo da escuridão e o viver com a falta de luz, na escuridão é que vivo só e bem acompanhado pela penumbra da luz, o abajur à meia-luz, o lusco-fusco do olhar as luzes da cidade ao fundo. O mar é a obscuridão do olhar perdido, é o apagão do olho a obnubilar o pensamento que morre de medo da escuridão, o mar é a escuridão do dia que vira do avesso o voo cego do navegador. Pensar sobre a linguagem é usar as cores do signo diante do obscuro olhar perdido na margem. O neologismo me salva da obscuridade da luz que nem brilha nem embaça o caminho do caminhante.

terça-feira, 5 de maio de 2015

Verbo insubordinado

    Passion - Jean-Luc Godard



Eu milito, tu militas
Agora, eu milite, tu milites,
É problema da língua,
torce, retorce no presente que indica
Ao tempo que se subordina.
Eu milito em outro espaço
Não dependo da língua que compartilhas.
Eu milito noutra terra, o país é:
O verbo indica.
Eu vagueio no silêncio, na palavra,
Na lista fixada na parede,
O verbo é morto, o tempo vive no grito,

Eu nomeio minha militância.