sábado, 18 de abril de 2015

Memória

                         Paul Klee - Máquina de Chilrear - 1922.


“Tom é palavra que presta serviços a mais de uma arte.”
Herbert Read

Eu sou antigo, muito antigo, quase uma pintura paleolítica,
Uma imagem na pedra, bosquímane da África do Sul,
Eu sou muito antigo, só não envelheci o suficiente,
Eu sou tão antigo, existo antes do indivíduo, sou parte do coletivo.
Atravessei os tempos, sou milenar, sou o risco da arte pagã,
Vim de longe, sou de todos os lugares eu hoje só a memória pode falar.
Vim do retrato, escalei o adorno da história, morri muitas vezes,
Sou um traço tão antigo, as rugas não conseguem mostrar os tempos existentes em minha carcaça de bronze.
Sou mais antigo que o sentido das coisas, dentro de mim existe o tempo, existe uma máquina de som cromático.
O Outro, a curva do olhar que se perde na abstração da forma, sou mais antigo do que isso, o pólen das estações.
O Outro, o que existe é único – do primitivo não vivi mais do que vivo hoje,
Envelheço nos conceitos, nas cores e nos dias.
Sou muito antigo.



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