domingo, 20 de janeiro de 2013

Livro de Paris

                              © Foto de Albert Chevojon. Paris alagada, transbordamento do Rio Sena, 1910.
                             


“O livro é sem autor porque se escreve a partir do desaparecimento falante do autor. Ele precisa do escritor, na medida em que este é ausência e lugar da ausência.”
Maurice Blanchot



É de cima que vejo seus mistérios, desligo-me dos dias, que me extravio em seus becos, que sigo seus cafés pelo cheiro no tempo, que retomo fôlego após tomar um vinho, e prossigo qual gato escuro, a me perder em sua história. Com olhos atentos, penetro em seus túneis, cato restos da vida como se estivesse a buscar o sentido das ruas no aroma das chaminés de seus prédios. Banho-me em sua chuva e passo a passo vou à nascente das estações em busca do próximo trem. Dia após dia, acordar aos teus olhos é poder viver a luz que vem da velocidade dos sonhos de tuas paredes vívidas e de tua opulência cimeira aos transeuntes.

“O livro é livro quando não remete a alguém que o tenha feito, tão puro de seu nome e livre de sua existência quanto do sentido próprio daquele que o lê.”
Maurice Blanchot



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