domingo, 30 de dezembro de 2012

Caminhar em tua blusa

                                                        Art Shay. Simone de Beauvoir. Chicago. 1952.





Nunca pedi para que amasses, quis o teu amor.
A vida não dá trégua aos que amam, aos amantes, aí é pior:
            A vida arranca os olhos,
            uma serpente vê mais que o amor,
            o veneno é fichinha perto da dor.
A sorte dos alucinados é que:
não há a dor nos olhos,
ela já está dentro em sua linguagem,
não existe mais como interpretar,
o caminhar desse jeito é
A canção que diz tudo.
As tuas pernas andam a zanzar à Terra desde
   – Todos os homens são mortais, Simone é a bendita culpada.
     
A mortalidade é uma questão de credo
E tu és o Nada – a blusa do budista – em frente à vida.
E todos os que morrem na cruz para salvar a pele,
os que matam por uma salvação,
nos prometem o impalpável.
Então, és uma mulher de todos os séculos!
Pena que os deuses não souberam disso
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