sábado, 18 de agosto de 2012

Sonho Roubado





“E que cheiro que sai dos nervos dele,
Embora o caio roído, cor de brasa,
E lhe doa talvez aquela pele!”
(O muro – Pedro Kilkerry, 1921)

Meu sonho era só teu, minhas lágrimas ficaram entre o travesseiro e o frio,
A vida disse nada
Ao redor ela dormia,
As mãos foram diretas em minha alma,
A salvaguarda do passaporte,
A identidade nua,
Minha própria pele longe da morada do Ser.
A ladra dos sonhos.
O silêncio em teu corpo era a distância entre a Gare Montparnasse e Saint-Malo.
Um trem que se perdeu no mar.
Minha dor foi eterna, eu dormi até o fim da viagem.
Nós dormíamos, os teus cabelos escuros em minha noite,
O cheiro de cigarro na casa, o vinho derramado,
As tuas ancas ficaram frias, fugiu de mim, ao longe,
A sonoridade das cores, as louças e as chaves desapareceram.
Acordei em lágrimas, acordei o silêncio com a dor, a casa saqueada,
Como a noite, a tua música matou o escuro, congelou meu sonho.
Acordei em ti, perto dos teus ombros, o tilinto do sono ao nosso redor.
Sorri para a manhã chuvosa.
Paris respirava comigo, pouco importa se tinhas partido.
Os amigos cuidam do café e o sol do outro lado da cidade silencia a noite.



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