quinta-feira, 21 de abril de 2011

Vozes da Legalidade

Foto: Lemyr Martins
Livro: Vozes da Legalidade: política e imaginário na era do rádio
Autor: Juremir Machado da Silva
Editora Sulina
Lançamento: maio de 2011

Fragmento, página 48

Safado, exclamaria Brizola, queria ser lançado candidato, candidatava-se declarando não ser candidato, apunhalava a democracia gritando o nome dela, como um amante canalha livrando-se de um corpo envelhecido. Era o estilo das raposas do PSD. Safado, pensara Rui Ramos, na Câmara de Deputados, depois de ter dito que a posição do ministro da Guerra era uma declaração de guerra civil e de ter pedido ao presidente da República em exercício, o oportunista Mazzilli, que demitisse e prendesse Denys. O importante, porém, é  que o manifesto de Lott chegaria ao seu destino, os ouvidos dos gaúchos, segundo contaria o próprio Leonel Brizola, enquanto o destemido, nacionalista e legalista Lott chegava ao seu, a prisão na Fortaleza de Laje: “As emissoras que faziam a transmissão eram silenciadas pelas autoridades do III Exército, mediante o confisco dos cristais dos seus transmissores. Permaneceu no ar somente a Rádio Guaíba, porque os seus proprietários declararam que não podiam transmitir o manifesto”. Às três horas da manhã do dia 27, com voz enlutada, quase metálica, um ganido, um gemido, uma voz fina, aguda, chorosa, tornada ainda mais pungentes pelos anos e pelas gravações, através das ondas das rádios Farroupilha e Gaúcha, Brizola avisa que resistirá, se for preciso, à bala, entregando a própria vida, para garantir a posse de Jango e o respeito à lei. Uma edição extra do jornal Última Hora resume tudo: “Golpe Contra Jango”.
     Truco? Brizola responderá: “Retruco”.

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