domingo, 13 de dezembro de 2009

Claude Simon e Alain Robbe-Grillet



"Cada romancista, cada romance deve inventar a sua própria forma." (Alain Robbe-Grillet)

“A última parada do bonde ficava cerca de um quilômetro antes do terminal onde os trilhos desapareciam sob a areia da praia, num lugar onde à direita, no meio dessas árvores que crescem nos terrenos úmidos e de ramagem esbranquiçada, abria-se uma longa alameda calçada de pedra também ela quase recoberta pela areia no fim da qual se erguia não propriamente sobre uma saliência mas no alto do que outrora devia ter sido uma duna bastante alta uma construção cercada de pinheiros e de um estilo arquitetônico em moda durante o Segundo Império ou no começo da III República, ou seja imitação, em miniatura, de algum castelo do vale do Loire...”
(Claude Simon – O bonde. p. 67)


“O sentimento de naufrágio cresce ainda com esta parte do texto, em que se trata da longa temporada confusa em Santa Catarina e Rio Grande, na costa distante apenas trezentos ou quatrocentos quilômetros em voo livre (mas por caminhos montanhosos quase impraticáveis) das célebres cataratas que vêm interromper o rio Iguaçu, justo antes de sua confluência com o Paraná, isto é, na fronteira do Paraguai, onde eu acreditava que B, tinha, como tantos outros, achado refúgio, quando a situação em Porto Alegre — durante muito tempo tranquila sob a proteção de suas lagunas — tornou-se de repente inquietante.”
(Alain Robbe-Grillet, p. 72-73)

“Certo, o Novo Romance’ nunca foi uma escola, ainda menos uma teoria literária geral. Sua própria existência enquanto agrupamento de escritores foi, desde o começo contestada, com freqüência pelos mesmos que podem ser considerados como os protagonistas do movimento. Perguntem a Butor, a Pinget, a Duras, a Ollier, mesmo a Sarraute, se os seus livros fazem parte do Novo Romance. Nenhum o admitirá sem reticência, quase todos quererão de imediato precisar suas reservas, vários dentre eles (nem sempre os mesmos segundo as épocas) oporão a tal classificação violenta e totais denegações. Não posso dizer que isso tenha alguma vez me incomodado muito, minha amigável obstinação terá triunfado em relação à frieza prudente, sombria, egocêntrica deles.” (p. 81)
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