sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Baía de Morlaix -fragmento



"O falso não é um erro ou uma confusão, mas uma potência que torna o verdadeiro indecidível." Gilles Deleuze




Acabei de ler um romance de Roth na terra de Corbière. O poeta maldito escreveu um livro, Amores Amarelos. Conheci Corbière antes de conhecer a baía, esse templo entre o mar e o mundo. O dono da padaria estava lendo um policial, Simenon. Vi de longe, ele atrás do balcão, enquanto uma funcionária atende os clientes em pleno humor. Deve estar apaixonada, pensei. Não pelo coroa, que parece estar se lixando ao mundo. O Amor é de longe o mais difícil aos homens. Eles preferem a solidão a terminar um amor. Se eu acabar amanhã, irei até a Baía da Morlaix. Pensar exatamente no último olhar. Sexo é mais importante que a devoção. Já estou aqui, leio, caminho, escrevo e dedico parte de minha a vida a um projeto que não sei onde irá chegar. O amor é mais simples quando se está nele, quando termina, pronto, acaba e ninguém ira ouvir os teus lamentos. Penso em sexo, acabo no amor, ele como sendo a única coisa que me fez escrever esse texto. Olho a praça vazia. Está escurecendo. Morlaix fala com o mar. A ausência.
António Paim
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