domingo, 26 de outubro de 2008

As imagens, um livro e uma vida




“Pessoas morrem porque estão com o coração partido. Acontece todo dia e vai continuar a acontecer, até o fim dos tempos.” Paul Auster



Poucos sabem compreender um texto, quando ele poderá transcender sua legítima razão de existir, quando o autor que um dia deu por encerrado sua história entregando-a ao seu editor na intenção de dar continuidade à vida de outros textos ou, simplesmente, de se sentir vazio por um breve ou longo período da vida. Não importa. O ato de se desfazer do texto é um ato mais difícil do que o princípio de concebê-lo.
Um pouco parecida é a vida que ele leva quando percebe que a linguagem e suas formas perdem o viço em cada texto acabado. A vida não tem a finitude de espaço — é atonal em sua melodia — mesmo quando é simples no tempo dos que pensam e amam a esmo e na longitude da criação com a fluência do transpirar final do último corte.
A morte passa perto, mas o texto seguirá intacto. Mesmo que existam os defensores dos ditames que legitimam as narrativas, os textos, as criações e as imagens como linguagem para construção de uma boa história não dizimarão o autor, que, antes disso, se desfará do texto sem olhar para os que julgam o tempo depois de existido.
Assim vive o autor, o criador, atrás de sua história, correndo na escuridão em busca do momento certo de olhar a imagem, de pensar a linguagem para depois perdê-la ao leitor. Nem todo leitor é um nome real como o “crítico”, ele pode ser uma nascente desconhecida para o tempo do texto que continuará existindo. Minha dica é “Homem no Escuro” de Paul Auster, ao fundo tocando David Bowie, “Little Bombardier”.
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