quinta-feira, 18 de setembro de 2008

A ladra de sonhos



"O fato de contemplar tudo de maneira sempre idêntica reduz tudo à igualdade." Paul Nizan


Não use as minhas palavras para amar outro,
Não roube as receitas de cores de minha mesa para conspirar com os sonhos do além-mar.
A gramática fica mais pálida quando roubada do coração alheio.
Não pense que meus sonhos são os únicos e verdadeiros desta cidade.
A sentença pode parecer falsa, mas pouco importa a filosofia da linguagem:
Quero seguir seus olhos com o passo das palavras que proferes.
E mesmo assim se usar a linguagem na segunda pessoa do singular para é lembrar que uma sentença não pertence ao uso da linguagem com o propósito de dissolver os problemas de uma construção de vida confusa.
Tanto faz eu me despir do emprego das palavras, dos pronomes em correta consonância,
Se você ousa em roubar os sonhos que a insônia traz à palavra todos os dias que a encontro bebendo vinho num cálice de números impressos no fundo que determinam nossas vidas.
Será em vão!
A palavra não pertence aos que tratam de desvendá-las mas aos que se apoderam de suas possibilidades de encontrar a melhor forma para se continuar escrevendo.
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