sábado, 5 de julho de 2008

Sábado


Um sábado em Montpellier


O acordar no sábado. Primeiro vem a cerração e depois o preparo do espírito para o dia de sol que romperá as nuvens em poucos momentos. Não é pelo instante e brevidade da vida que nos faz feliz mas a certeza da não se ter certeza dos amanheceres.
Usar a mesma camiseta dormida, colocar o velho abrigo e sentar na bergère para ler umas páginas dos “Ensaios sobre Heidegger e Outros” do Rorty. Tomar um café a recém passado. Ouvir uma sinfonia, um concerto para cello ou violino antes que o sol apareça. Depois ler os jornais na rede, responder e-mails, conversar com os amigos distantes e pensar na frase quando ontem à noite assistia “Os Palhaços” de Fellini que anotei no escuro da sala para ler hoje. Faço isso sempre quando assisto um bom filme na liberdade de ver e ler a linguagem que me fascina e perturba:
— O provincianismo é uma miséria que diz respeito a tudo e a todos, menos a ele mesmo.
Pensei nos modernos da minha cidade. Rio do que escrevo para depois desenvolver no meu mais novo projeto que está mais enrolado que o tempo, mas sei que a certeza se dará pela reflexão diária. O amanhecer se mostra com uma surpresa que não diz respeito à meteorologia e nem à crença e à cultura dos que pensam mais sobre a província como sendo universal do que eu.
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