domingo, 27 de abril de 2008

A cadeira do tempo


Foto de Jean Baudrillard


Antes o homem olhava a história, debruçava-se sobre a linha histórica, sobre o tempo como garantia do bom entendimento de sua contemporaneidade. Hoje, esse mesmo homem, aquele que negou seu esquecimento, está sentado no seu tempo, em sua cadeira de madeira e ferro, dessas que já existem desde o século XX, com todas as garantias da história, da razão, da técnica, em toda sua esteira do tempo, olhando o passado apenas como um filme, um livro, sem grandes esperanças de apreender seu futuro. Simplesmente esse homem é um observador, um intérprete do seu tempo.

Baudrillard traduz:
"Mas esta ininteligibilidade não é mística nem romântica: ela é irônica. Ironia é o último signo que vem do âmago secreto do objeto, a alegoria moderna da reversibilidade de todas as coisas."

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