domingo, 11 de novembro de 2007

Andaluzia



Foto: Sophie Calle












Ali está o corpo da mulher
Linda, se confunde com fragmentos de um poema,
Com os passos de uma bailarina.
As mãos gesticulam, as pernas contornam a alma.

O riso de Andaluzia percorre a sala em passadas na dança frenesi. Do açoite da chuva fria
A madrugada respinga no fogo que se mistura ao incenso.

Ali está a noite dos sonhos compartilhados
Entre loucos, tristezas, vozes sobre o nada.
Ali está o tecido da vida
Cobrindo as diferenças das desilusões,
Queimando o dorso da dança na pele
A faísca da voz como cello que se perde
Entre os olhares do vento que desnuda o vazio.

Ali está quem nos espia, fera solitária, foge da solidão.
Embebida no vinho que escorre corpo adentro
Feito esperma.

Ali está a mulher, linda, feito noites de Andaluzia
Percorre a sala em sua dança,
Corta o fogo e o silêncio falando da infância.
Com suas pernas de poesia silenciosa
Que decifram os olhos da chuva fria, ali está a mulher.

Ali está a noite dividindo o fogo,
Um pouco da solidão, o vinho entre dedos
Que mancha com as vozes, a fumaça do incenso.
Ali está os passos vagos como o riso
Que espia a precisão das palavras da poesia

Ali está o vento soturno
Dando trégua a todos que se cruzam em noites bêbadas.
Ali está o som, as quebras e as partes
Rasgando nossas vidas como facas
Que imolam as tristezas no sapateado
Da mulher que ali está.
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