sábado, 18 de abril de 2020

A fuga de si mesmo

                       Noturno

“Estou a caminho com a minha visão”
Walt Whitman

Ainda penso em fugir nadando, ir mais longe do mal que nos atinge, a pandemia da ignorância.
A última previsão é o mar revolto, água límpida da dor,  
A liberdade não me dá asas nem oferece um barco de outono.
Tenho que ir sem olhar para trás, adentrar o mar,
Águas frias, correntezas fortes a me levar a outra consciência.
A visão daqui, ruas silenciosas, casas em suas luzes guardam tudo que se pode imaginar,
Então, tenho que sair voando janela afora, até a primeira correnteza.
Mergulhar que nem pelicano, afundar a fúria do cotidiano,
Atravessar todos os lugares possíveis, sem ver a insanidade.
O povo está quieto, só Dylan na essência noturna ouço,
Os dias dissimulam, viver no país está sendo um desafio.  
A única arma será o vômito escárnio contra os que marcham com seus hinos.

Vou cerrar as janelas, usar a máscara invisível e rumar ao porto mais próximo. Abril está fechado.

                                             Difuso
                                             Das cores

Ranhuras da vida

“... acordou no cume de um sonho que se eleva no céu, como no cume de uma onda. E, subitamente, não se recordou de mais nada.” Ricardo Guilh...